
O Sangue Que a Terra Guarda, de Patrícia Miranda e Leonel Costa, foi exibida na tarde de domingo, 6
Na tarde deste domingo, 6, o Teatro Álvaro de Carvalho - TAC recebeu a segunda sessão do Conversas FAM, atividade da programação do 30º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 Anos. O encontro teve a exibição seguida de debate do filme O Sangue Que a Terra Guarda, dirigido por Patrícia Miranda e Leonel Costa, que participaram da conversa ao lado dos realizadores Henrique Lanfranchi, em seu primeiro trabalho em longa-metragem, Cassiano Reis, produtor e diretor de arte, e Almir Rosa, também ator.
O longa se passa em um povoado rural, onde ataques a animais despertam na população o temor da presença de um lobisomem. Antônio, negro solitário, vira suspeito. A chegada de um forasteiro coincide com os eventos, e seus destinos se entrelaçam até um desfecho que transforma suas vidas. Durante o bate-papo, conduzido pela roteirista, diretora e produtora Rastricinha Dornelles, os representantes contaram sobre os bastidores, curiosidades das gravações e história por trás do roteiro, além de ouvir as sensações provocadas no público.
Leonel contou que a origem do projeto está em uma provocação iniciada há cerca de 15 anos, de como desafiar as convenções do cinema de gênero. A partir de pesquisas sobre o folclore brasileiro, a equipe encontrou uma recorrência nas histórias de lobisomem: a figura do homem negro, frequentemente associado ao isolamento e à violência. Para o diretor, o filme procura tratar questões sociais com delicadeza, trazendo para o imaginário fantástico situações que pertencem à realidade brasileira.
A conversa também abordou as histórias não ditas que atravessam a narrativa e a maneira como experiências pessoais foram incorporadas ao roteiro sem serem explícitas. A equipe conta que incorporou elementos que surgiram durante as filmagens, aproximando o longa de procedimentos do documentário. Outro ponto central do encontro foi o caráter coletivo da produção.
“Tudo o que a gente faz sempre é muito junto. Estamos fazendo cinema antes de começar a fazer um projeto específico. Porque a gente conversa muitas coisas, elabora, ouvindo música, conversando, trocando ideias de leituras e referências. Claro que tem a questão técnica do roteiro, só que isso é muito compartilhado o tempo inteiro. Fazemos isso de reunir sentir e também dar um espaço para o elenco poder dizer o que acha. É um filme que falar de transformação e de você lidar com ela. Eu acho que para você poder compartilhar a transformação, você tem que estar disposto a construir isso junto”, compartilhou a diretora.
Costa também ressaltou a participação de todos os envolvidos no filme, que não puderam estar presentes. “É com muito orgulho que a gente chega nesse festival. Agradeço a muita gente que está com a gente desde o primeiro dia até agora na nossa estreia. Assistam o cinema nacional! Invistam no cinema nacional”, destacou.
O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.
