Mesa do ECM+LAB 2026 destaca humanização nos festivais e mercados

Set 06 | 2026

O evento encerra neste domingo, 6, com a premiação dos projetos

   O 10º Encontro de Coprodução do Mercosul especial Ibero-América – ECM+LAB 2026 realizou, no fim da manhã deste domingo, 6, a Mesa Festivais e Mercados. Com mediação de Marilha Naccari, diretora curatorial da Associação Cultural Panvision, o encontro reuniu profissionais de diferentes iniciativas da América Latina para discutir as conexões entre festivais e mercados, a circulação de filmes e projetos e a construção de redes para o fortalecimento do audiovisual.

   A mesa contou com Valentina Prego, do Ventana Sur, Micaela Neiva, do Rio2C e Daniela Cardarello Baliño, do Festival Internacional de Punta del Este. O encontro foi marcado pela presença exclusiva de mulheres no palco, trazendo a proposta de aproximar experiências brasileiras e latino-americanas e destacando a importância de encontros presenciais e de relações construídas ao longo dos eventos.

   Valentina Prego falou sobre a importância da continuidade das conexões entre profissionais, projetos, instituições e produtoras. Ela ressaltou que os vínculos não são construídos em um único encontro, mas se fortalecem a partir da possibilidade de reencontrar parceiros, retomar conversas e formar uma rede de trabalho para os projetos de cinema da América Latina e Ibero-América. 

   “Eu sinto que o ECM+LAB é um espaço orgânico de trabalho entre os países do Mercosul e também, agora, com uma visão um pouco mais voltada para a Ibero-América. Ele faz parte da própria tradição do FAM, dessa conexão entre os países, que é sempre necessária reforçar e manter com espaços contínuos de encontro, para nos reencontrarmos e sabermos que estamos vinculados a esse setor a partir de diferentes lugares”, colocou.

   Em sua fala, Micaela Neiva, head de Relações Internacionais e Institucionais do Rio2C, apresentou dados sobre a indústria criativa e números da edição de 2026 do evento. Ela também destacou a importância dos encontros presenciais, experiências compartilhadas e conexões entre diferentes segmentos da economia criativa, já que, além do audiovisual, o Rio2C reúne áreas como música, esporte, moda e editorial.

   “O que a gente quer ter enraizado no Rio2C é que nós não somos vitrine, nós somos infraestrutura de conexão. E é muito importante que a gente se veja enquanto infraestrutura de conexão e rede que somos. Ganhamos força quando nos articulamos em rede. Por isso é tão fundamental que, nesses 30 anos de FAM, eles propõem um encontro de mercados, para que a gente possa cada vez mais atuar nos nossos países, eventos e ações em rede”, disse.

   Na sequência, Daniela Cardarello Baliño apresentou a experiência do Festival Internacional de Punta del Este, destacando, por sua vez, o papel dos festivais como vitrine para os filmes e como espaços de aproximação entre realizadores e público. Em complemento, Marilha Naccari abordou a trajetória do FAM, que nasceu como seminário antes de se consolidar como festival e mercado, além de destacar a curadoria e a diversidade como formas de apresentar diferentes perspectivas do cinema brasileiro e latino-americano.

   “Quando vocês terminam um filme, têm na cabeça, certamente, Cannes, Rotterdam, Sundance, festivais que estão muito bem. Mas talvez o seu filme não entre. E o que acontece? O seu projeto morre? Não, ele tem outros caminhos, outras estratégias. Não é porque o seu filme não está nesses lugares que acabou. É só que o olhar que eles têm não é o olhar nosso. Essa é uma questão importante: descobrirmos esses espaços com os nossos critérios, com o nosso olhar. Ninguém tem que nos dizer como é o nosso cinema. Nós temos que explicar como é o nosso cinema”, ressaltou Daniela.

   Ao falar sobre o papel do festival na relação com o público, Marilha Naccari ressaltou que o FAM busca aproximar os espectadores dos filmes e de seus realizadores. Segundo apresentou durante a mesa, em 2026 o número de realizadores presentes no FAM 30 anos, vindos por conta, superou o número de filmes exibidos. 

   “Mais do que dizer quais são os formatos que a gente tem no festival, queremos dizer quais são as ideias que temos de mudança do mundo a partir dele. Também a mudança do nosso próprio mercado”, disse ela, que ainda ressaltou a importância dos participantes estarem presentes nas sessões de cinema do FAM, no Teatro Álvaro Carvalho - TAC. “Esta é a vitrine dos filmes que vocês estão criando hoje”, finalizou.

   O ECM+LAB encerra neste domingo, 6, com a premiação dos projetos.

   O 10º ECM+LAB especial Ibero-América faz parte da programação do FAM 30 anos e conta com o apoio institucional APRO, BRAVI e Brazilian Content. O FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.

 

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