Realizadores no FAM 30 anos: Os caminhos que escolhemos para contar histórias

Set 05 | 2026

Neste sábado, as mostras tiveram a presença de cineastas vindos de diversos estados

   As sessões do Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 30 anos de sábado contaram com realizadores vindos de diversos estados em todas as mostras. O festival começou dia 3 e segue até a próxima quarta-feira, 9, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC).

   As equipes de Peixe Seco e Defumado e Chica apresentaram seus filmes para as crianças na Mostra Infantojuvenil. Peixe Seco é uma animação catarinense, de São Francisco do Sul, sobre a pesca da tainha e o resgate da memória do prato típico cambira. “Exibimos antes nas escolas, mas a gente queria conseguir estar no FAM. É muito gratificante estar aqui, e ainda na 30ª edição de um festival latino-americano”, contou o diretor e animador Denis Souza, que já conhece o FALA São Chico, realizado pela Panvision em sua cidade.

   Em Chica, que foi filmado em São Bento do Sapucaí, São Paulo, duas crianças são encarregadas pela mãe de levar uma galinha a um restaurante local. O menino mais novo gosta da galinha e não sabe que ela será morta para virar refeição. A equipe tinha a história há cinco anos, mas conseguiu recursos muito tempo depois até filmar. “Exibimos em Portugal, esta é a estreia no Brasil, e a experiência de mostrar pras crianças aqui é muito especial, ainda mais quando passam a compreender que os animais são o prato que elas comem”, contou o diretor Matheus Malburg, que é vegetariano desde que nasceu. 

   O vídeoclipe A Corrida Blues, que divulga o artista P3drinn, filmado em Vacaria (RS) e produzido em Porto Belo (SC), é a primeira produção da equipe, realizada sem orçamento. “Quisemos ajudar o artista a destacar sua carreira com o videoclipe, num ambiente no interior que as pessoas não dão muito valor pro hip-hop e pro rap”, conta a produtora Kethelen Lima, que também foi assistente de direção, figurinista e fez o making-of. Sérgio Furlanetto assina o roteiro, direção, edição e fotografia do videoclipe familiar, com o avô como ator, a caminhonete emprestada dele, o sítio do pai como locação e a avó ajudando no figurino. “É uma honra grande estar no meio de tanta gente talentosa. É meu primeiro trabalho como diretor, num filme de guerrilha”. 

   O curta catarinense Imaginário Bar, de Bhig Villas Boas, estreou também na noite deste sábado. “Foi uma honra trabalhar com o Carlos Francisco, um grande ator, e uma responsabilidade fazer uma obra baseada no Luis Fernando Verissimo, ele faleceu na semana que a gente estava filmando”, contou Bhig. No filme, o protagonista contracena com muitas versões dele mesmo se tivesse tomado diferentes decisões durante a vida. “Gosto muito de fazer curta-metragem e de ficção, foi um reencontro com o gênero, com uma equipe sensacional e muitos desafios para o figurino, a maquiagem, o próprio Carlos em fazer todos os personagens, para todos os departamentos, estou muito feliz”.

   Vidros Fechados, de Duran Sodré, de Curitiba, é seu primeiro curta como diretor. “É uma honra estar aqui, fazer cinema é um ato de coragem e ingenuidade contínua, contar uma história e esperar que toque outras pessoas. O curta foi feito há alguns anos, foram muitos processos. Veio de uma notícia sobre um pai que esqueceu o filho no carro e ele morreu. Num mundo tão individualizado, dentro das próprias bolhas, existe essa total desconexão com o entorno, com os outros”, refletiu.

   Fechando a noite, foi exibido o longa-metragem O Pai e o Pajé, de Iawarete Kaiabi, Felipe Tomazelli e Luís Villaça, que veio representando o filme. “Estar aqui no FAM, que recebe filmes da América Latina é muito significativo, pois traz uma temática comum a vários países. Foi uma produção colaborativa, que surgiu de uma oficina que dei em 2016, e o Iawarete falou de seu interesse em contar a história dele, depois surgiu um edital e conseguimos, foi um processo de formação e colaborativo, numa história intensa, para todos, e a relação entre indígenas e não indígenas”. 

   A programação completa está no site famdetodos.com.br.

   Consulte classificação indicativa e medidas de acessibilidade para as diversas atividades. 

O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.

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