Através do Festival Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM, a Panvision obteve o reconhecimento do meio audiovisual pelo trabalho de difusão cultural das diversas cinematografias do Brasil e do Mercosul.
Como continuidade deste trabalho a Panvision realiza a Mostra Itinerante FAM, visando constituir um circuito de exibição pelo interior do estado, contemplando a política de promover ações que descentralizem e democratizem o acesso da população a bens culturais.
Nossa proposta é proporcionar a realização de eventos de qualidade, compromissado com o aprimoramento da cidadania cultural, contribuindo para a formação de público, através do acesso gratuito a uma produção recente e de expressiva diversidade cultural.
Os cineastas, técnicos, empresários, representantes do setor público e das organizações não-governamentais reunidos no I Seminário de Cinema e TV do Mercosul, realizado dos dias 03 a 06 de junho de 1997 na cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, Brasil, firmam aqui uma nova mentalidade de produção – calcada na certeza de que é a hora de produzir cinema de qualidade para o público assumindo-se definitivamente o status de mercadoria desta arte industrial.
Assim, reiteram às autoridades máximas e instituições correlatas no âmbito das pastas da Cultura, de Relações Exteriores, da Indústria, Comércio e Turismo e da Fazenda dos diversos países que integram o Mercosul – bem como à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e de Integração ao Mercosul, órgão do Estado de Santa Catarina que é pioneiro nesta atividade, e que mantém como um dos seus campos de atuação prioritários a integração cultural – os seguintes pontos:
- A Indústria Audiovisual é a Indústria do Século XXI. Cada vez mais indissociável das Indústrias do Turismo e da Informática – a Indústria Audiovisual já concorre ao posto de 1a indústria em faturamento no mundo. De acordo com o jornal Financial Times, em 95 o cinema americano arrecadou U$10,85 bilhões no mercado interno e U$8,03 bilhões no mercado exterior. E estas cifras dizem respeito ao passado: com a disseminação das TVs a cabo e da multimídia - a Indústria Audiovisual está em franca expansão. As duas maiores emissoras no Brasil já somam 2 milhões de assinantes – preservando um ritmo de crescimento de 10 % ao mês. As centenas de canais operando 24 horas por dia vem ampliando a demanda audiovisual em um ritmo exponencial , que em muito ultrapassa a capacidade de produção de Hollywood – que gira em torno de 500 longa-metragens ano. No Brasil, as atuais 50.000 horas/mês de programação implicam em um dos mais sintomáticos problemas do setor: a repetição constante dos filmes e o pequeno número de atrações locais – geram um elevado grau de rotatividade entre os assinantes. Tais fatos comprovam a afirmação de que em termos de audiovisual a globalização não se opõe à regionalização - isto porque a base mercadológica das TVs por assinatura é o atendimento à segmentação do mercado;
- A expansão da Indústria Audiovisual e o respectivo déficit de produção criam uma oportunidade ímpar de garantirmos um espaço compatível com nossos direitos e as potencialidades do Mercosul. Nosso mercado comum constitui-se no quinto maior mercado mundial em termos de geração de capitais pela exibição. Só o mercado brasileiro do Audiovisual deve movimentar em torno de 1 bilhão de dólares / ano (dados divulgados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). Para um público crescente que hoje soma mais de 200 milhões de espectadores, a relação demanda/produção deve estar equilibrada somente por volta do ano de 2010. Considerando que o custo médio de uma produção brasileira de qualidade gira em torno de U$1,5 milhão de dólares contra 5 milhões de uma produção mediana de Hollywood, fica evidente que somos competitivos inclusive no mercado internacional. O grande diferencial é que os americanos pagam e lucram com seus filmes no mercado interno – transformando em lucro líquido todos os pacotes vendidos ao exterior (ou seja, US$8,03 milhões em 95). É por isto que Hollywood pode chegar às nossas telas a um preço menor do que o que podemos oferecer ao nosso próprio mercado;
- A Indústria Audiovisual gera uma média de 100 empregos diretos para cada U$ 1 milhão de dólares investidos - a mais alta taxa de empregabilidade do setor industrial, segundo pesquisa do DIESE. A Indústria Audiovisual é uma alternativa de caráter social extremamente relevante. Em pouco mais de um ano de atuação, a Film Comission do Pólo do Ceará colaborou para a atração e realização de cerca de 30 filmes entre curtas, longas e médias, gerou em torno de 6.000 empregos temporários e contribuiu para a formação de 4.000 profissionais para a área cultural. Por sua natureza, o audiovisual gera empregos diretos e indiretos para todos os profissionais vinculados às áreas de criação e produção artística (teatro, música, dança, literatura, artes plásticas e naturalmente - cinema), das mais diferentes áreas técnicas e ramos de atividade industrial (fotográfico, informática, engenharias civil, mecânica, elétrica, eletrônica, têxtil, etc), bem como para todo o tipo de atividade vinculada à mídia eletrônica, à publicidade, ao comércio e ao turismo em geral;
- A Indústria Audiovisual é auto-sustentável. Sem chaminés, é uma indústria que vive da criação e reprodução das imagens da cultura e da paisagem – contribuindo expressivamente para o desenvolvimento dos imaginários locais e a preservação do meio ambiente;
- A Indústria Audiovisual incentiva os fluxos de turismo interno e promove os países produtores de audiovisual no exterior – reduzindo a evasão de divisas e ampliando os lucros diretos e indiretos proporcionados pelo turismo internacional;
- A cultura veiculada pelos meios audiovisuais é um produto industrial indispensável à defesa de nossa língua, imaginário e cidadania - sendo que o processo de globalização só se opõem à regionalização pela falta da produção nacional nas telas e telinhas. Os países do Mercosul não chegam a produzir 30% do total da programação veiculada em seus canais, sendo que os filmes americanos ocupam algo em torno de 97% da programação das salas de exibição e 99% do mercado televisivo. Na França, país marcado por uma política constante de proteção ao cinema nacional - os filmes americanos ocupam menos de 70% das exibições nas salas de cinema. Uma das medidas chave para a defesa do mercado francês é a transferência de 30% do faturamento das TVs para um fundo de produção de Cinema Francês. Já neste fim de Século – Desenvolvimento Econômico & Cultura são fatores inseparáveis.
Assim, tendo em vista a importância estratégica da Indústria Audiovisual no futuro econômico e cultural de nossos países, cabe reivindicar uma ação urgente de nossos Governos para a resolução dos problemas operacionais das co-produções e produções no Mercosul - observando os seguintes pontos:
A criação e a regulamentação da Comissão do Audiovisual na esfera do Tratado de Assunção. Ë consenso entre os diversos segmentos da indústria que o Audiovisual deve receber o mesmo tratamento do que os demais produtos comercializados no âmbito do Mercosul;
Adoção do sistema internacional de CARNET para equipamentos audiovisuais – um passaporte para livre trânsito em admissão temporária entre os países, durante a realização de co-produções e outras filmagens no território do Mercosul;
Isenção de impostos alfandegários incidentes sobre os equipamentos a serem utilizados nas produções;
Facilidade nas remessas de divisas destinadas às produções audiovisuais, sem taxações indevidas que onerem as produções;
Facilidade na implantação de franquias e trocas de tecnologia entre os países;
Redução de tarifas aéreas, preços de hotéis e de transportes terrestres e fluviais para viabilizar as co-produções;
Criação de uma legislação específica para as co-produções internacionais;
Normatização do processo de captação de recursos oriundos da conversão da dívida pública, já previsto em lei, para a aplicação em produtos audiovisuais;
Um estudo de compatibilização das leis trabalhistas – de modo a serem implementados mecanismos de extensão do mercado de trabalho sem gerar mais ônus ou dificuldades legais à produção;
A difusão e a manutenção das leis de renúncia fiscal. A lei brasileira de Incentivo à Cultura, baseada na renúncia fiscal, se encerrará precocemente em 2002. Associada à Lei do Audiovisual e ao apoio às produções oferecido pelas Film Comissions - no atual estágio de nossa infra-estrutura de produção – este tipo de legislação constitui-se em um instrumento vital para o êxito do projeto de desenvolvimento do Audiovisual nos países do Mercosul;
A criação do Relatório Permanente da Indústria Audiovisual - um banco de dados ligado à Internet através do Memorial da América Latina destinado à divulgação dos mais diversos aspectos da indústria, bem como do processo de encaminhamento das reivindicações deste Seminário e de outros eventos correlatos.
Que as políticas bem sucedidas não sirvam de álibi para os demais problemas a serem enfrentados – sob pena de seus efeitos serem minimizados pela falta de atenção às diretrizes apontadas aqui.
Florianópolis, 06 de junho de 1997.
Produtores, cineastas, distribuidores, fomentadores, sindicalistas, executivos da iniciativa privada e da área governamental ligados ao cinema e a televisão (aberta e por assinatura) de todos os países do Mercosul e também de Portugal e Espanha, reunidos no II Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, realizado entre os dias 31 de maio a 05 de junho de 1998, em Florianópolis, elaboraram a II Carta de Florianópolis.
A seguir as recomendações aprovadas na plenária final pelos participantes do II Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, na presença do representante da Secretaria Audiovisual/MinC e do Parlamento Cultural do Mercosul.
- Estabelecer mecanismos idôneos para possibilitar a livre circulação de bens e serviços culturais;
- Propiciar a instalação definitiva de um sistema aduaneiro especial para o intercâmbio de obras e materiais entre os países do Mercosul;
- Promover a compatibilização das leis trabalhistas para possibilitar a realização de co-produções e projetos entre os criadores e produtores visuais do Mercosul;
- Facilitar a movimentação financeira entre os países do Mercosul na área de co-produções audiovisuais;
- Criar um acordo regional de co-produções;
- Recomendar a criação de incentivos fiscais que permitam estimular o desenvolvimento de projetos, a criação, a produção e a distribuição dos produtos audiovisuais do Mercosul;
- Propor a criação de um fundo em cada país do Mercosul destinado ao financiamento de projetos audiovisuais, desde o esboço e a criação, até a produção e os lançamentos publicitários de produtos audiovisuais;
- Fomentar a compatibilização das legislações de propriedade intelectual nos países do Mercosul;
- Conceber políticas de promoção da diversidade cultural;
- Estimular o intercâmbio de professores e especialistas dos países do Mercosul para promover a capacitação profissional no âmbito audiovisual;
- Propor a criação de oficinas técnicas, nas jurisdições que sejam consideradas mais pertinentes, em cada um dos países do Mercosul, destinadas a concentrar a gestão dos projetos e co-produções audiovisuais;
- Definir modelos operativos estratégicos para a recuperação dos mercados nacionais, consolidar os mercados do Mercosul e atingir os mercados de língua espanhola e portuguesa e da União Européia;
- Estabelecer cotas de exibição recíprocas entre os países do Mercosul;
- Criação de um fórum permanente, constituindo uma Secretaria de Informação e Comunicação através dos eventos já existentes no Mercosul;
- Incluir nas ações de desenvolvimento audiovisual as TVs Educativas e Culturais;
- Fortalecer as relações com as TVs abertas e por cabo para ampliar a presença dos nossos produtos no espaço audiovisual regional;
- Reforçar a necessidade de dublagem ou de legendas em espanhol ou português, conforme o caso, para os produtos audiovisuais que circulem na região do Mercosul.
Por meio desta - produtores, cineastas, distribuidores, fomentadores, sindicalistas, executivos da iniciativa privada e da área governamental ligados ao cinema e à televisão (aberta e por assinatura) de todos os países do Mercosul e também de Portugal e Espanha, reunidos no III Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, realizado entre os dias 31 de maio a 04 de junho de 1999, em Florianópolis, apresentam as recomendações encaminhadas à Plenária Final do evento, na presença dos representantes do Ministério da Cultura do Brasil, Sr. José Álvaro Moisés, Secretário Audiovisual; do Ministério da Educação e da Cultura do Chile, Sr. Ignácio Aliaga, Diretor do Departamento de Cinema e Vídeo; do Sr. Luis Carlos Rodriguez – Diretor do Instituto Nacional de Cinema da Argentina; do Sr. Juan Carlo D’Amico, Membro do Parlamento Cultural do Mercosul pela Argentina; do Sr. Iaponam Soares, Presidente da Fundação Catarinense de Cultura do Estado de Santa Catarina – Brasil e do Sr. Antônio Celso dos Santos - Coordenador do III Florianópolis Audiovisual Mercosul - Brasil.
Tendo em vista:
- a ausência ou a indefinição das políticas estratégicas de desenvolvimento nacional da Indústria Audiovisual no âmbito dos países do Mercosul;
- o conceito de que o Audiovisual se constitui em uma Indústria que por si só é uma esfera de Mercado – operando tanto bens culturais quanto comerciais que se constituem em produtos que geram desenvolvimento econômico, social e cultural além de lucros e marketing aos respectivos investidores;
- que as indústrias audiovisuais nacionais não tem projeto econômico definido e - que há uma concentração de poder, que gradativamente exclui as pequenas empresas, que representam o maior volume das produções nacionais e garantem a maior parcela da geração de empregos no setor.
Cumpre-nos encaminhar as seguintes premissas, recomendações e reivindicações aos Governos, aos integrantes da Indústria Audiovisual e aos setores econômicos co-relatos – a destacar as Indústrias do Turismo e da Informática - que compõem o Mercosul:
- No âmbito do Mercosul não podemos ter um projeto para a Indústria Audiovisual que abranja somente a circulação de mercadorias: é preciso que se considere inclusive a circulação de idéias e culturas;
- Neste sentido é indispensável construirmos uma imagem do produto audiovisual do Mercosul – a partir de todos os meios de difusão existente - visando a formação de público e a constituição do Mercado. Para tanto, vale citar as experiências bem sucedidas já realizadas pela TV Nacional Chile, TV Cultura de SP – Brasil e pela Associação das Televisões Iberoamericanas – ATEI. Cabe também destacar enfaticamente o papel insubstituível dos Festivais e Mostras de audiovisuais – que além de formarem público, são o primeiro canal de introdução dos produtos no Mercado, permitindo inclusive identificar tendências e virtuais segmentos específicos;
- No que diz respeito à formação do Mercado para os produtos do Mercosul, cabe ainda:
- revisar os convênios de co-produção com parâmetros legais e dentro de uma ética comercial específica da indústria;
- propiciar a instalação definitiva de um sistema aduaneiro que garanta o livre intercâmbio e circulação de obras, equipamentos e materiais entre os países do Mercosul;
- criarem-se incentivos fiscais que permitam o estímulo e a criação, o desenvolvimento de projetos, sua produção e respectiva distribuição no Mercosul;
- criar um fundo para circulação de películas no Mercosul, organizado dentro de uma expectativa de consolidação do mercado (sugerimos a princípio um plano trienal);
- criarem-se benefícios de exportação para além do Mercosul;
- estabelecerem-se facilidades nas remessas de divisas destinadas às produções audiovisuais do Mercosul, sem taxações indevidas que onerem as produções;
- serem desenvolvidos mecanismos de controle do espaço audiovisual nacional e regional no âmbito das novas tecnologias;
- serem realizados estudos de compatibilização das leis trabalhistas – de modo a serem implementados mecanismos de extensão do mercado de trabalho sem gerar mais ônus ou dificuldades legais à produção;
- operar a difusão e a manutenção das leis de renúncia fiscal. A lei brasileira de Incentivo à Cultura, baseada na renúncia fiscal, se encerrará precocemente em 2002. Associada à Lei do Audiovisual e ao apoio às produções oferecido pelas Film Comissions - no atual estágio de nossa infra-estrutura de produção – este tipo de legislação constitue-se em um instrumento vital para o êxito do projeto de desenvolvimento do Audiovisual nos países do Mercosul;
- estabelecer uma normatização do processo de captação de recursos oriundos da conversão da dívida pública, já previsto em lei brasileira, para a aplicação em produtos audiovisuais;
Florianópolis, 04 de junho de 1999.